Qual é a Forma da Terra!!!
Até ao século IV A.C., aproximadamente, a Terra era considerada plana. Os sábios da antiguidade pensavam que a forma do planeta era rectangular, circundada pelos mares. Acreditavam que nos limites das águas com o espaço habitavam seres e criaturas mitológicas.
Com os acontecimentos, os Antigos começaram a suspeitar que a Terra não era plana, com base em diversas observações que apontavam para uma certa curvatura da sua superfície: o marinheiro no alto do seu mastro é o primeiro a avistar a costa ao longe; o observador no alto de uma falésia avista durante mais tempo o navio que se afasta em direcção ao horizonte do que aquele que ficou na praia; a estrela polar não possui a mesma altura acima do horizonte na Grécia e no Egipto; finalmente, durante os eclipses lunares, a sombra projectada da Terra sobre a Lua revela uma forma circular.
Durante muitos séculos, a Terra foi considerada esférica sem causar problemas de maior para a navegação, que usava métodos astronómicos para a determinação de rotas, o que implica grandes simplificações nos cálculos.
Por volta de 1700, com a evolução dos métodos astrogeodésicos, dos equipamentos e os enunciados das leis de Kepler, surgiram as primeiras teorias e experiencias tratando a Terra como esférica, mas com um certo achatamento nos pólos. Esta superfície era de difícil desenvolvimento matemático, razão pela qual se adoptaram elipsóides de revolução para a modelar. O elipsóide de revolução é a figura resultante da rotação de uma elipse em torno de um de seus eixos. ![]()
Com o desenvolvimento tecnológico, os equipamentos tornaram-se muito sofisticados e precisos, os métodos evoluíram e centenas de elipsóides foram desenvolvidos de modo a representar a Terra o mais fielmente possível.
Assim, quando falamos da forma da Terra podemos referir dois conceitos diferentes: o primeiro diz respeito à descrição geométrica da superfície física; o segundo diz respeito à forma das superfícies equipotenciais do campo gravítico real e é importante para a caracterização das propriedades deste campo.
Uma das superfícies equipotenciais é particularmente significativa: a que coincide em média com a superfície livre dos oceanos, descontados os efeitos meteorológicos. Esta superfície equipotencial designa-se por geóide.
O efeito centrífugo da rotação da Terra causa um empolamento equatorial, o que afasta à partida a hipótese da Terra possuir uma superfície esférica. Se a Terra estivesse completamente coberta pelos oceanos, então, ignorando os ventos e as correntes internas, a superfície deveria reflectir as forças devidas à rotação e à atracção gravitacional de corpos externos (como o Sol e a Lua) e efeitos surgidos do interior. Quando os efeitos de maré são removidos, a forma da superfície é devida a variações na densidade do interior.
Sendo o geóide muito próximo do nível médio do mar, representa em 72% a forma exacta da Terra.
A forma do geóide é agora bastante bem conhecida, particularmente nas regiões oceânicas, devido às contribuições da geodesia de satélite. Este tem uma forma muito próxima da de um elipsóide de revolução, de tal modo que a diferença entre os dois raramente excede os 100 m!
